quinta-feira, 1 de abril de 2010

HISTORIA DO GRAFFITE


História do Grafite

A palavra grafite é de origem italiana e significa "escritas feitas com carvão".

Os antigos romanos tinham o costume de escrever manifestações de protesto com carvão nas paredes de suas construções. Tratavam-se de palavras proféticas, ordens comuns e outras formas de divulgação de leis e acontecimentos públicos. Alguns destes grafites ainda podem ser vistos nas catacumbas de Roma e em outros sítios arqueológicos espalhados pela Itália.

No século XX, mais precisamente no final da década de 60, jovens do Bronx, bairro de Nova Iorque (EUA), restabeleceram esta forma de arte usando tintas spray. Para muitos, o grafite surgiu de forma paralela ao hip hop - cultura de periferia, originária dos guetos americanos, que une o RAP (música muito mais falada do que cantada), o "break" (dança robotizada) e o grafite (arte plástica do movimento cultural). Nesse período, academias e escolas de arte começaram a entrar em crise e jovens artistas passaram a se interessar por novas linguagens. Com isso, teve início um movimento que dava crédito às manifestações artísticas fora dos espaços fechados e acadêmicos. A rua passou a ser o cenário perfeito para as pessoas manifestarem sua arte.

Os artistas do grafite, também chamados de "writers" (escritores), costumavam escrever seus próprios nomes em seus trabalhos ou chamar a atenção para problemas do governo ou questões sociais.

Na Europa, no início dos anos 80, jovens de Amsterdã, Berlim, Paris e Londres passaram a criar seus próprios ateliês em edifícios e fábricas abandonadas. O objetivo era conseguirem um espaço para criarem livremente. Nesses locais, surgiram novas bandas de música, grupos de artistas plásticos, mímicos, atores, artesãos e grafiteiros.

Muitos grafiteiros europeus e norte-americanos que viveram e trabalharam nesses espaços alternativos conseguiram levar mostrar suas obras aláem das fronteiras de seus países. Alguns exemplos desse movimento são: Jean-Michel Basquiat, Keith Haring e Kenny Scharf .

Haring e Scharf expuseram seus trabalhos na XVII Bienal Internacional de São Paulo, em 1983, exercendo forte influencia entre os artistas do grafite no Brasil. A XVIII Bienal, em 1985, lançou nomes de grafiteiros brasileiros, tais como Alex Vallauri, Matuck e Zaidler.

Grafite também é ferramenta social


Grafite não é apenas uma forma de se manifestar. Atraente para os jovens, a arte de rua também pode ser uma importante ferramenta na reintegração de crianças e adolescentes na sociedade.

Nas principais capitais do Brasil, algumas entidades utilizam as técnicas do spray e dos pinceis para atrair jovens de periferia. Desde 2000 atuando em São Paulo, a Agência Quixote Spray Arte desenvolveu um programa de educação para o trabalho por meio do grafite. A ideia faz parte do Projeto Quixote, fundado em 1996 por clínicos da UNIFESP.

Neste projeto, os adolescentes carentes participam de um programa que inclui o desenvolvimento pessoal e o aprendizado de competências básicas para o trabalho e geração de renda. Esses ensinamentos são aplicados em obras de arte que podem ser comercializadas e, de maneira inovadora, o grafite acaba se tornando uma fonte de renda para os jovens e para suas famílias.

Bancos, escolas de artes, editoras e empresas estão entre os que já contrataram a Agência Quixote Spray Arte para trabalhar os grafites com os jovens. Além dos muros, os alunos ainda têm a oportunidade de pintar desenhos exclusivos em camisetas, que são comercializados em parceria com a Associação Lua Nova.

A Agência ainda oferece serviços de grafite interno (para a decoração de ambientes), performance ao vivo dos artistas em eventos, ilustração para camisetas e bonés, paineis, banners, cartões de natal, cursos e workshops. A renda arrecadada é revertida para a geração de recursos da própria Agência, que não tem fins lucrativos.

Mosaico e pintura

Outra opção para os querem deixar sua marca nos muros é o mosaico. A ONG Instituto Esporte e Educação ensina a técnica no Jardim São Luiz, na zona Sul da capital paulista. “As crianças aprendem um pouco de arte. Sempre unimos os mosaicos a temas relacionados à história ou poesia”, diz Alan Leão, professor do Instituto, que desenvolveu trabalhos em muros e fachadas da região.

Também existem projetos que atuam com a metodologia do grafite fora do estado de São Paulo. Em Paracambi, no Rio de Janeiro, o projeto Sou Kpaz - desenvolvido pela Secretaria de Trabalho, Habitação e Ação Social - se tornou referência. Trata-se de um curso com duração de seis meses com duas aulas semanais que ensinam técnicas de desenho e pintura por meio do grafite para 60 crianças e jovens carentes.

Cadê o incentivo?

Em São Paulo, os grafiteiros profissionais reclamam do pequeno número de oficinas que contam com o apoio da atual prefeitura. De acordo com os principais nomes da arte de rua, a quantidade de trabalhos sociais nos últimos anos diminuiu.

quarta-feira, 31 de março de 2010


A 1ª Bienal Internacional de Graffiti de Belo Horizonte, sediada na capital mineira, estará aberta ao público entre os dias 30 de agosto e 7 de setembro. O evento inclui exposições, seminários e intervenções nas ruas da cidade com o objetivo de discutir a importância do grafite no cenário artístico atual e seu reconhecimento como arte no mundo.
Estarão expostos trabalhos de grafiteiros de São Paulo, Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, Recife, além de representantes de outros países, como Chile, Porto Rico, Holanda e Japão. A curadoria é do artista plástico e grafiteiro Rui Santana.
A programação da 1ª Bienal Internacional de Graffiti de Belo Horizonte inclui quatro exposições, seminários com grafiteiros e estudiosos do assunto, intervenções nas ruas da cidade e programação musical com grupos e DJs, acompanhados de performances de videoarte. Outras informações sobre o evento no site oficial da Bienal
Serviço:
1ª Bienal Internacional de Graffiti de Belo Horizonte
Data: 30 de agosto a 7 de setembro
Horários: 9h às 24h
Local: Serraria Souza Pinto
Endereço: Av. Assis Chateaubriand, 809, Floresta, Belo Horizonte
Ingresso: entrada franca